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Cléo Alves – Vitrinas de La Habana2018-12-23T18:29:02+00:00

Project Description

VITRINAS DE LA HABANA

Acostumada a viajar para o exterior e encontrar muitas lojas nas ruas, Cléo estranhou quando chegou a Havana e não as viu. Onde estão as lojas? Onde as pessoas compram? Elas não consomem? Não há mercadorias para comprar?

Depois de muito andar, encontrou-as fora do circuito turístico.

É possível ver a escassez que se espera ver nas vitrines das lojas populares de Havana. Mas o que mais chamou a atenção da fotógrafa foram as mercadorias expostas e a forma como estão expostas. Em muitas dessas vitrines, os produtos estão cuidadosamente dispostos, em composições que por vezes lembram instalações artísticas.

Nelas se vê toda sorte de produtos: roupas, tecidos, produtos de higiene e de limpeza, utilidades do lar, peças e ferramentas. Em algumas vitrines, somente um tipo de produto é exposto. Mas em várias delas, mercadorias de naturezas diferentes estão lado a lado. Sem haver aparentemente uma justificativa para estarem juntos na mesma vitrine, os produtos aparecem repetidamente de forma muito similar em vários estabelecimentos diferentes, quase como um padrão.

Esse arranjo fez com que as perguntas mudassem: por que produtos tão diferentes estão dispostos lado a lado na mesma vitrine? Por que produtos simples, que normalmente estão atrás dos balcões, estão dispostos de uma forma tão peculiar nas vitrines? Quem as arrumou assim? Por que as arrumou assim? Quem compra esses produtos? Quem não compra esses produtos?

Pode-se pensar que alguém pensou muito bem em como dispor as mercadorias de uma forma tão “artística”, mas, após uma pesquisa sobre consumo em Cuba, Cléo descobriu que na verdade não há vitrinistas, os próprios trabalhadores definem a forma de expor as mercadorias. Assim, acabaram criando uma estética única, visualmente interessante e muito intrigante. E nos reflexos dos vidros se vê fragmentos dessa cidade tão interessante e intrigante quanto suas singulares vitrines.

CLÉO ALVES

Cléo Alves Pinto nasceu em Curitiba (1979), viveu por muitos anos em Minas Gerais e mora em Brasília desde 2009. É arquiteta e urbanista e também formada em Pedagogia, ambos pela UFMG.

Começou a fotografar profissionalmente em 2015. Com a série Vitrinas de La Habana foi selecionada em 2018 para a exposição coletiva “Transoeste” – uma das mostras do Festival Foto em Pauta, e para o Prêmio Transborda Brasília de Arte Contemporânea. Por meio de projetos autorais tem investigado questões como relações entre espaços públicos e privados, privacidade, modos de viver e de morar. Especificamente em Havana desenvolve pesquisas e séries fotográficas sobre comércio e consumo desde 2017.